O USO DE ANTIÁCIDOS PODE LEVAR A DEFICIÊNCIA DE B12

Os antiácidos estomacais mais eficientes são chamados de inibidores da bomba de prótons (IBP)

Um estudo publicado no Journal of the American Medical Association analisou dados de cerca de 26.000 pacientes na Califórnia que foram diagnosticados com deficiência de vitamina B12. Os pesquisadores queriam saber se os medicamentos bloqueadores de ácido estomacal estavam associados com os baixos níveis de vitamina B12. A resposta foi “sim”. Os pacientes que tomam bloqueadores ácidos mais eficientes, por dois anos ou mais, apresentaram um aumento de 65% no risco de se tornarem deficientes de vitamina B12.

A vitamina B12, também chamada de cobalamina, é uma vitamina de alta manutenção e se não receber atenção especial, ela poderá ter dificuldade em ser absorvida pelo corpo. O ácido e as enzimas presentes no estômago liberam a vitamina B12 a qual precisa se ligar a uma proteína especial secretada pelo estômago, chamada fator intrínseco, a qual permite que a vitamina B12 seja absorvida no intestino delgado.

A vitamina B12 trabalha em conjunto com outra vitamina, o ácido fólico, para ajudar a sintetizar o DNA (dentre outras coisas). Uma pessoa com deficiência de B12 terá dificuldade para produzir glóbulos vermelhos suficientes, o que a deixará anêmica (anemia megaloblástica). Mas baixos níveis de vitamina B12 também pode causar disfunção dos nervos, levando a sintomas como dormência, zumbindo, andar cambaleante, pensamentos confusos e até mesmo demência

A deficiência de vitamina B12 pode se desenvolver quando o estômago perde a sua capacidade de produzir o fator intrínseco, o que denominamos de anemia perniciosa, mais comum em (mas não limitado a) pessoas de ascendência do Norte da Europa. Mas a deficiência de B12 também pode se desenvolver em pacientes com baixos níveis de ácido no estômago, como idosos com problemas estomacais, pacientes que fizeram a cirurgia de úlcera gástrica ou duodenal, bypass gástrico para perder peso e milhões de pessoas que fazem uso de medicamentos bloqueadores de ácidos estomacais.

A supressão ácida também é associada à deficiência de ferro e ao aumento de fraturas em mulheres na pós-menopausa.

 

Tratamento da azia

 

Ao invés de considerar o uso de antiácidos, por longos períodos, o paciente deve conversar com seu médico e buscar tratar a doença adotando novos hábitos, tais como:

Manter um peso saudável e uma rotina de exercícios diários. O excesso de peso pode colocar pressão sobre o abdômen, fazendo com que os sintomas da azia se agravem;
Prestar atenção à dieta. Alguns alimentos são “gatilhos da azia”, tais como produtos lácteos, café, hortelã, pimenta, chocolate, álcool, tomate, cebola e alimentos ricos em gordura. Qualquer refeição pesada pode provocar refluxo, porém, especialmente quando consumida tarde da noite. Alimentos que agravam os sintomas da azia devem ser identificados pelo próprio paciente num diário alimentar;
Tentar reduzir a tensão. O estresse provoca uma condição chamada de hipervigilância, o que aumenta a sensibilidade à dor;

Fracionar as refeições, comer pouco, tentar não comer antes de ir para a cama, e quando for deitar, elevar a cabeceira da cama (usar vários travesseiros não dá bons resultados)
Se o paciente faz uso de um antiácido por um longo prazo, é preciso acompanhar e medir seus níveis de magnésio, ferro e vitamina B12 regularmente. Se necessário, discuta o uso de suplementos. Exames de densidade óssea podem ser feitos para monitorar a saúde dos ossos;
Acompanhamento com um nutricionista é sempre aconselhável, pois esse especialista adaptará seu cardápio às suas necessidades.

 

 

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