LANÇAMENTO DO LIVRO: Grupo de Investigação e Função Terapêutica em pacientes Pós Cirurgia Bariátrica

A psicóloga da Venutri, Mariane Dias Ferreira participou do livro Psicologia Hospitalar: Neuropsicologia e Interlocuções, contribuindo com um capítulo sobre  Grupo de Investigação e Função Terapêutica em pacientes Pós Cirurgia Bariátrica.

A atuação do psicólogo nas instituições de saúde é uma tarefa complexa e indiscutivelmente necessária. Para que a intervenção psicológica seja possível e eficaz nesse âmbito, as teorias e técnicas desse profissional devem dialogar com os tratamentos empregados aos pacientes e, ao mesmo tempo, levar em conta a singularidade de cada indivíduo.Divididos em três partes (Psicologia Hospitalar, Neuropsicologia e Interlocuções), os capítulos desta obra apresentam ao leitor a atividade dos profissionais que atendem pacientes das diversas especialidades médicas, os protocolos de avaliação neuropsicológica, o estudo das alterações cognitivas e os dois campos epistemológicos que mais contribuíram para a psicologia hospitalar: a psicanálise e a psiquiatria.Psicologia Hospitalar, Neuropsicologia e Interlocuções | Avaliação, Clínica e Pesquisa, leitura fundamental para estudantes, psicólogos e outros profissionais engajados na área da saúde, auxilia a prática das avaliações e o emprego dos métodos clínicos, além de promover o avanço de pesquisas na área.

Obesidade, Cirurgia Bariátrica e Considerações

 

Nesse breve texto, espero dividir com os leitores uma introdução sobre a obesidade, cirurgia bariátrica e minhas considerações do ponto de vista psíquico. Espero que o relato forneça ferramentas breves e informativas. Nesse caso, optei por uma explicação simples, ainda que bastante próxima de um artigo científico.
A obesidade é um tema novo para a comunidade científica, muito embora, não seja tão nova na história da humanidade. Com o advento do avanço tecnológico, conhecimento científico e médico, se observam grandes prejuízos que a obesidade pode causar. Aliado a isso, assistimos o aumento da obesidade pelo mundo e dessa forma, as consequências psíquicas, sociais e físicas da doença.
Meu interesse pela temática é justamente uma tentativa de melhor compreender e, se possível, contribuir do ponto de vista psíquico e social, à realidade dessa complexa doença, dita, “contemporânea”.
Sem dúvida alguma, assistimos a obesidade como um problema de saúde, mas que ganha significados estreitos na estética (gordo enquanto uma qualidade negativa) e até mesmo na moral (gordura enquanto capacidade individual).
A obesidade é considerada um entre os maiores problemas de saúde pública mundial (WORLD HEALTH ORGANIZATION,1998). Baseando-se no Índice de Massa Corporal (IMC) e no risco de mortalidade associada, a OMS classifica a obesidade quando o IMC encontra-se acima de 30kgm². Com relação à gravidade, é considerada obesidade grau I quando o IMC situa-se entre 30 e 34,9 kgm², obesidade grau II quando o IMC está entre 35 e 39,9kgm² e, para finalizar, obesidade grau III, quando o IMC ultrapassa 40kgm².
É uma doença que indica a existência de diversos fatores que se correlacionam para seu aparecimento e manutenção, portanto, tem uma causa multidimensional (VASCONCELOS & NETO, 2008). Segundo FANDINO, 2002, o seu tratamento envolve várias abordagens, desde a prática de exercícios físicos, até medicamentos antiobesidade e acompanhamento nutricional.
Dentre os fatores que definem a obesidade como multifatorial, destacam-se os 1) fatores genéticos; 2) fatores ambientais; 3) fatores psicológicos, psicossociais e culturais. (COUTINHO & DUALIB, 2008). Ainda, segundo esses mesmos autores, acredita-se que as mudanças de comportamento alimentar somados aos hábitos sedentários de vida, atuam sobre os genes de susceptibilidade, determinando assim, o crescimento da obesidade no mundo.
A Conferência de Desenvolvimento de Consenso do National Institutes of Health (NIH) de 1991, recomendou a cirurgia bariátrica para indivíduos com obesidade grau III (Índice de Massa Corporal> 40 kg/m2) desde que bem informados e com riscos aceitáveis de operação, bem como, para aqueles considerados com obesidade grau II ( Índice de Massa Corporal> 35 kg/m2) com condições pré mórbidas de alto risco. Ainda aconselhou-se uma avaliação seletiva e cuidadosa para candidatos à cirurgia por uma equipe multidisciplinar (HUBARD; HAALL, 1991).
O contexto médico muitas vezes passa longe do objetivo de avaliar, pela ótica psíquica, se o paciente está de fato, preparado para uma cirurgia desse porte, uma vez que tem a finalidade justamente de realizar a cirurgia do ponto de vista orgânico e fisiológico do paciente.
Seria importante o desenvolvimento de programas que incluam o grupo, ou mesmo, a avaliação psicológica como parte obrigatória em programas de cirurgia bariátrica, tanto no pré, como no pós-cirúrgico, pois a minha experiência permite observar a imensa necessidade desses sujeitos em falarem sobre suas angústias, dar suporte, escuta, espaço, modificar, desmistificar conceitos e, sobretudo, dar sentido e lugar para sujeitos que estão diante de corpos prontos a serem embrutecidos pela gordura ou expandido para novas potencialidades e criatividades.